
Existe uma alta expectativa do mercado contemporâneo: a de que a inovação disruptiva brotará de forma linear nos centros espelhados de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Isso pode acontecer, mas a antropologia, armada de sua densidade teórica e etnográfica, nos mune sobre a dinâmica das culturas: o centro é o domínio da ortodoxia e da manutenção do status quo; porém, a inovação é, invariavelmente, uma heresia que germina nas margens.
Nas arquiteturas corporativas, a Tecnologia da Informação (TI) divide-se entre a sustentação da eficiência do negócio (Modo 1) e a experimentação disruptiva (Modo 2). O grande erro estratégico da alta gestão é tentar operar o Modo 2 com a mentalidade engessada do Modo 1. Como demonstrou o antropólogo Gilberto Velho (1994) em seus estudos sobre sociedades complexas, é nas fronteiras e nas periferias que ocorrem os “projetos e metamorfoses” mais radicais. O centro dita a norma; a periferia inventa a sobrevivência.
Para uma corporação tradicional, o comportamento desviante de um nicho de usuários nas bordas de seu mercado geralmente é descartado como ruído. Para a Inteligência Antropológica, esse ruído é o “sinal fraco” da próxima revolução. A antropóloga Anna Tsing (2015), ao analisar a resiliência em paisagens marginais, nos mostra que é exatamente nas “margens indomáveis” e nas fricções do sistema que a colaboração criativa floresce. Em termos de mercado, a invenção do motor a combustão jamais sairia do “centro” otimizado de uma fábrica de carruagens.
Contudo, aplicar a Antropologia exige um compromisso: repudiamos o extrativismo predatório. Nosso papel é promover o descentramento ontológico (VIVEIROS DE CASTRO, 2002) da liderança, identificar e desconstruir velhas crenças. Trata-se de ensinar a empresa a humanizar suas operações, estabelecendo redes de reciprocidade genuína. Inovar é remapear as associações, reconhecendo a agência do “outro” na construção de um mundo comum(LATOUR, 2012).
A inovação disruptiva exige a coragem de implodir os próprios dogmas antes que a concorrência o faça. Antecipar esse salto no topo da curva de adoção não é um trabalho para planilhas frias; é um exercício de escavação de sentidos. A sua empresa está disposta a trilhar esse caminho? A caminhar até as bordas do seu império, a escutar os sinais fracos e a abraçar a heresia para descobrir o amanhã? Se o futuro da sua inovação parece embaçado, talvez seja hora de olhar para fora do centro. A ToMove está pronta para te guiar nessa jornada. E aí, vamos conversar?
Referências
LATOUR, B. Reagregando o Social: uma introdução à Teoria do Ator-Rede. Salvador: Edufba/Edusc, 2012.
TSING, A. L. The Mushroom at the End of the World: On the possibility of life in capitalist ruins. Princeton: Princeton University Press, 2015.
VELHO, G. Projeto e Metamorfose: Antropologia das Sociedades Complexas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1994.
VIVEIROS DE CASTRO, E. O nativo relativo. Mana, Rio de Janeiro, v. 8, n. 1, p. 113-148, 2002.